{"id":1088,"date":"2025-08-11T12:32:46","date_gmt":"2025-08-11T15:32:46","guid":{"rendered":"https:\/\/www.hiperbarico.com.br\/?p=1088"},"modified":"2025-08-13T10:20:04","modified_gmt":"2025-08-13T13:20:04","slug":"o-que-arde-cura-sera-verdade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.hiperbarico.com.br\/?p=1088","title":{"rendered":"O QUE &#8220;ARDE CURA&#8221;- SER\u00c1 VERDADE?"},"content":{"rendered":"<p>O dito popular \u201co que arde cura, o que aperta segura\u201d leva as pessoas a acreditarem que \u00e9 normal e aceit\u00e1vel sentir dor nas feridas tanto espontaneamente como durante as manipula\u00e7\u00f5es (curativos).<\/p>\n<p>Isso n\u00e3o \u00e9 verdade de forma alguma! A dor, est\u00e1 provado, traz v\u00e1rios inconvenientes. Em primeiro lugar, pelo conceito da humaniza\u00e7\u00e3o no trato com os pacientes, n\u00e3o sendo aceit\u00e1vel submete-los a procedimentos dolorosos, sem anestesia ou outras medidas amenizadoras. E, mais importante ainda, A DOR ATRASA A CICATRIZA\u00c7\u00c3O. A dor desencadeia libera\u00e7\u00e3o de fatores locais que reduzem a circula\u00e7\u00e3o (vasoconstritores) e a forma\u00e7\u00e3o de tecidos novos no leito da ferida.<\/p>\n<p>A manipula\u00e7\u00e3o das feridas deve ser realizada com extrema delicadeza, interrompendo-se o procedimento se houver dor. A remo\u00e7\u00e3o dos curativos n\u00e3o pode ser feita de forma agressiva, materiais aderidos n\u00e3o devem ser arrancados, que geralmente \u00e9 o procedimento que provoca a maior dor. Deve-se molhar o curativo com \u00e1gua morna limpa. Se n\u00e3o sair com facilidade, pode-se mergulhar a ferida em \u00e1gua morna at\u00e9 se soltarem as gazes. Se mesmo assim, houver dor, o paciente deve tomar analg\u00e9sicos antes da realiza\u00e7\u00e3o dos curativos. Na parte da ferida que est\u00e1 sem pele, n\u00e3o deve ser colocado nenhuma subst\u00e2ncia irritante como vinagre, lim\u00e3o, e mesmo pomadas ou produtos que provoquem dor, para n\u00e3o agravar mais ainda a les\u00e3o e n\u00e3o atrasar a cicatriza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Por outro lado, h\u00e1 feridas que n\u00e3o apresentam dor nenhuma. S\u00e3o geralmente localizadas em locais insens\u00edveis do corpo, como em pacientes parapl\u00e9gicos ou em alguns diab\u00e9ticos que devido a neurite grave, perdem a sensibilidade. Essas feridas podem tornar-se enormes, porque o paciente n\u00e3o percebe que a les\u00e3o est\u00e1 aumentando. Nesses casos, tamb\u00e9m a manipula\u00e7\u00e3o tem que ser realizada com delicadeza para n\u00e3o provocar sangramento nem aprofundamento da les\u00e3o.<\/p>\n<p>O processo de cicatriza\u00e7\u00e3o normal se completa em um m\u00eas habitualmente. Qualquer ferida ou ferimento que n\u00e3o cicatriza nesse per\u00edodo \u00e9 classificado como \u201cferida que n\u00e3o cicatriza\u201d e deve ser avaliado por um profissional para entender por que a cicatriza\u00e7\u00e3o n\u00e3o est\u00e1 ocorrendo e orientar o tratamento especializado.<\/p>\n<p>Entre outros fatores o que pode estar impedindo a cicatriza\u00e7\u00e3o \u00e9 a falta de oxig\u00eanio no local, o que impede o funcionamento dos mecanismos de forma\u00e7\u00e3o de tecidos e de combate \u00e0 infec\u00e7\u00e3o. Nesses casos est\u00e1 indicado o tratamento adjuvante com Oxig\u00eanio Hiperb\u00e1rico.<\/p>\n<p>As c\u00e2maras hiperb\u00e1ricas podem ser de dois tipos: multiplace (ou multipacientes), que comportam v\u00e1rios pacientes, s\u00e3o pressurizadas com ar e o oxig\u00eanio \u00e9 dispensado atrav\u00e9s de m\u00e1scaras e as monoplace (ou monopacientes) para um \u00fanico paciente, que s\u00e3o menores e pressurizadas diretamente com oxig\u00eanio, sem necessidade de m\u00e1scaras ou capuzes.<\/p>\n<p>A OHB consiste no uso cient\u00edfico do oxig\u00eanio puro sob press\u00e3o com finalidade terap\u00eautica, indicado para v\u00e1rios tipos de altera\u00e7\u00f5es patol\u00f3gicas. Para o tratamento, que \u00e9 realizado em sess\u00f5es, o paciente permanece dentro da c\u00e2mara hiperb\u00e1rica. O oxig\u00eanio puro entra pela respira\u00e7\u00e3o em grande volume, dissolve-se no plasma e distribui-se pela circula\u00e7\u00e3o pelo corpo todo, e atinge tamb\u00e9m os tecidos cujas altera\u00e7\u00f5es decorrem de hip\u00f3xia.<\/p>\n<p>Tecidos org\u00e2nicos utilizam oxig\u00eanio continuamente. Apesar de absolutamente indispens\u00e1vel, o n\u00edvel de oxig\u00eanio tecidual necess\u00e1rio \u00e9 baixo, cerca de 35 a 40 mmHg, o que em condi\u00e7\u00f5es normais \u00e9 suficiente para todas as fun\u00e7\u00f5es dos tecidos vivos, incluindo sua restaura\u00e7\u00e3o quando ocorre uma les\u00e3o. Em muitas situa\u00e7\u00f5es, bloqueio dos capilares, desestrutura da anatomia local por trauma, inflama\u00e7\u00e3o, edema, etc.nem mesmo este m\u00ednimo \u00e9 alcan\u00e7ado. Cria-se uma hip\u00f3xia local, que dificulta as fun\u00e7\u00f5es teciduais, entre as quais as defesas anti-infecciosas, principalmente a fagocitose dos polimorfonucleares.<\/p>\n<p>A presen\u00e7a de infec\u00e7\u00e3o propicia um ambiente redutor que se acrescenta \u00e0 hip\u00f3xia, acentuando seus efeitos. A repara\u00e7\u00e3o tecidual que deveria restaurar o tecido tal como era antes, fica impedida. Surgem as \u201cferidas que n\u00e3o cicatrizam\u201d, que incluem processos agudos como: traumas isqu\u00eamicos de extremidades: esmagamentos, desluvamentos, amputa\u00e7\u00f5es traum\u00e1ticas.fasci\u00edtes, miosites, celulites necrosantes,gangrena gasosa, gangrena de Fournier.queimaduras t\u00e9rmicas el\u00e9tricas e deisc\u00eancias infectadas de cirurgias. Os processos cr\u00f4nicos que evoluem para feridas n\u00e3o cicatrizam s\u00e3o: osteomielites cr\u00f4nicas \u00falceras de press\u00e3o (dec\u00fabito) \u00falceras varicosas, isqu\u00eamicas ou mistas p\u00e9s diab\u00e9ticos. les\u00f5es act\u00ednicas (por radioterapia), f\u00edstulas de v\u00e1rias etiologias (doen\u00e7a de Cr\u00f6hn, p\u00f3s cirurgias) e outras.<\/p>\n<p>Todos os processos mencionados acima, tem em comum: isquemia local, tend\u00eancia a infec\u00e7\u00e3o e a necrose, edema e inflama\u00e7\u00e3o. Apresentam muita dificuldade em cicatrizar e podem aumentar de tamanho e profundidade atingindo locais pr\u00f3ximos que n\u00e3o estavam envolvidos nas fases iniciais. O OHB para esses casos \u00e9 adjuvante e aplicado em conjunto com todas as demais medidas cl\u00ednicas e cir\u00fargicas indicados para o tratamento dessas les\u00f5es.<\/p>\n<p>As aplica\u00e7\u00f5es s\u00e3o realizadas em sess\u00f5es que duram de 1 a 2 horas, conforme o tipo de paciente e os protocolos utilizados. Todos os efeitos descritos acima agindo simultaneamente provocam uma modifica\u00e7\u00e3o local de tal forma que as \u201cferidas que n\u00e3o cicatrizam\u201d retomam a capacidade de restaura\u00e7\u00e3o do tecido, tornando poss\u00edvel que o potencial de cicatriza\u00e7\u00e3o, anteriormente bloqueado pela falta de oxig\u00eanio, possa expressar-se, fazendo com que os tecidos doentes se recomponham.<\/p>\n<p>Entretanto, apesar do seu potente efeito, o tratamento com oxig\u00eanio hiperb\u00e1rico n\u00e3o deve ser empregado como uma medida \u00fanica; pode e deve ser associado ao tratamento convencional. Por outro lado, acrescentando-se OHB, muitos dos tratamentos habituais precisam ser modificados. Por exemplo, devem ser evitados desbridamentos extensos, que al\u00e9m de n\u00e3o serem mais necess\u00e1rios quando se emprega OHB, podem trazer riscos de hemorragia devido \u00e0 neovasculariza\u00e7\u00e3o exuberante. Outros procedimentos, como aproxima\u00e7\u00f5es, enxertos e retalhos podem ser realizados muito mais precocemente, sem risco de perdas. Observa-se tamb\u00e9m que h\u00e1 menor necessidade de antibi\u00f3ticos, de procedimentos cir\u00fargicos e redu\u00e7\u00e3o do tempo de interna\u00e7\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O dito popular \u201co que arde cura, o que aperta segura\u201d leva as pessoas a acreditarem que \u00e9 normal e aceit\u00e1vel sentir dor nas feridas tanto espontaneamente como durante as manipula\u00e7\u00f5es (curativos).<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":1215,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-1088","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.hiperbarico.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1088","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.hiperbarico.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.hiperbarico.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.hiperbarico.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.hiperbarico.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=1088"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.hiperbarico.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1088\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.hiperbarico.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/1215"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.hiperbarico.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=1088"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.hiperbarico.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=1088"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.hiperbarico.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=1088"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}